quarta-feira, 24 de julho de 2013

Tá garoando, meu bem

Por muito tempo, achei que tristeza fosse tempestade. Aquela chuvarada maluca que molha tudo, invade a nossa casa, nosso coração, nossa vida. Chuva daquelas que faz estrago, desmorona, alaga, arrasa, mata. Daquelas que leva tudo embora, até as lembranças dos dias felizes.

Descobri que tristeza é garoa. Chuva fininha que cai todo dia, o dia todo e não pára nunca. Quase não molha, quase não se sente... se por pouco tempo. Por muito tempo, vai molhando. Seca-se. Daqui a pouco, tudo molhado de novo. Não leva embora as lembranças, elas permanecem aqui, mas se molham também, ficam borradas, rasgadas, amassadas. Olhando, não se vê. Mas quem tá exposto sente. Chuva fina, quieta, que faz pequenos estragos aos poucos e em silêncio.

Tristeza é garoa. E eu sou São Paulo.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Cansada.

O cansaço é um filho da puta que toma conta da gente. E ele ta aqui, tomou conta de mim. Cansei. To tão cansada, tão sem forças. Me sinto como se tivesse dentro de um bote, dando a volta ao mundo, em posse de um remo só. Cansei e não dá pra voltar. Mas também não consigo ir pra frente. To perdida no meio do caminho, sozinha nesse mundo de nada, nesse vazio ao meu redor. Tem dias que faz sol, um céu azul tão lindo, que é como se brotasse uma faísca de energia dentro de mim. Eu remo um pouquinho, a correnteza me ajuda um pouquinho, eu me animo, sorrio até, tenho esperanças de que algum dia serei capaz de voltar a seguir em frente. Mas de repente, não sei de onde, chegam as nuvens, e o vento, e a chuva, e os raios e toda a tempestade que balança meu bote, me joga de um lado pro outro, me machuca, me deixa marcas, me tira as forças... To perdida no meio desse oceano gigantesco, fundo, perigoso, solitário. E cansei de remar.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Não há porque chorar por um amor que já morreu...

"Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu? 
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez? 
Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem! 
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar 
Quem foi que te ensinou a rezar? 
Que santo vai brigar por você? 
Que povo aprova o que você fez? 
Devolve aquela minha TV que eu vou de vez 
Não há porque chorar por um amor que já morreu 
Deixa pra lá, eu vou, adeus 
Meu coração já se cansou de falsidade"


Marcelo Camelo, seu lhyndo!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Um bocado de tristeza

Nada melhor do que essa angústia no peito pra sentar e escrever. E toda aquela falta de palavras durante os dias regados de felicidades se foi. Sobra tristeza, sobram palavras.

Tristeza transborda no peito, dolorido, pulsante. Transborda na cabeça, lembrando, buscando, revivendo em flashes, indo e voltando, indo e voltando. Transborda nas pernas, inquietas, andantes, zigue-zagueando pela casa, deixando-se cair, descendo parede abaixo, costas raspando, estatelando no chão, pernas dobradas, joelhos apontando o teto, cabeça entre as mãos, soluços. Transborda nos olhos, líquida, salgada.

As palavras transbordam pelos cantos da boca e dos dedos e da cabeça. A tristeza empurra elas pra fora, dizendo pra elas: vão, digam pro mundo como é escuro aqui dentro; falem pra todos do aperto, do desassossego que existe aqui; berrem aos quatro ventos o sofrimento do bendito coração. Elas vão. Ninguém vê. Mas o colocar pra fora aquieta um pouco esse furacão sentimental  vulgarmente chamado de dor de cotovelo.

E cada vez mais que deveria doer menos acaba sendo o contrário. Pelo menos, escrevo mais assim.

"é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza...'

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Re-vida

Quase três meses parecem uma vida. Primeiro uma morte, depois uma vida. Uma re-vida, uma vida reinventada sem você. E preenchendo meus dias, vivo. Coloco aquele sorriso no rosto e vou. E rio, às vezes. Ás vezes lago, mergulhada em lágrimas, mas isso cada vez mais raro. E não paro. E hoje que parei, chorei. Porque os sorrisos são forçados, uma tentativa de fazer brotar a felicidade - e não o contrário. Porque as ocupações são efêmeras, perto da sensação de eternidade do amor que sinto. Porque a solidão assola a alma, mesmo que cercada de pessoas queridas. Porque os dias parecem em vão sem você para colorí-los. Porque a esperança não existe, mesmo que eu quisesse muito tentar cultivá-la. Hoje parei; e chorei. Porque ainda te amo.

Cansada

Às vezes, canso dos homens.

Não sei de onde sai esse ar superior, essa pose, esse nariz empinado-peito-estufado-andar-arrogante ao passar por uma mulher. Gosto de homem confiante, odeio homem prepotente.

Até quando eles vão achar que não consigo viver sem eles? Até quando eles vão deixar de atender o telefone porque acham que do outro lado tem uma maluca apaixonada? Até quando eles vão rejeitar um convite pro cinema por achar que a maluca apaixonada vai achar que estão namorandinho? Até quando eles vão ser cool pra evitar carinhos, porque a maluca apaixonada pode interpretar errado? Até quando eles vão achar que todas as mulheres do mundo sempre morrem de amores por eles e sempresempresempre querem namorar-casar-viver-feliz-para-sempre?

Me canso. To cansada.

Só não sei o que fazer com esse cansaço...

terça-feira, 14 de maio de 2013

Felicidade

Era uma vez a Felicidade. Ela era feliz, colorida, saborosa. Vivia alegremente, saltitando por aí. Acordava assoviando, sorrindo, cantando. Passava o dia a dançar, rodopiar... Ia dormir aconchegada, olhos cerrados e boca sorridente. 
Um dia, Felicidade morreu. Subiu aos céus. Reencarnou Tristeza.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Da vontade.

Os dias são longos demais. As noites curtas demais. O que era leve, gostoso e feliz transforma-se em tormento assim que os primeiros raios de sol adentram meu quarto. As horas se arrastam. Posso ouvir o ponteiro quase travar entre um segundo e outro. Sinto minha respiração, ela também não quer funcionar direito. Às vezes, tenho que puxar com força pra compensar o ar que se recusou a entrar. Nem ele quer estar aqui dentro, nem o ar. Abrir os olhos dói, levantar machuca, andar me rasga. Pensar me enfia a faca cega, milimetro a milimetro, rodando a ponta, sentindo-a entrar, forçando, difícil, mas firme. Sento. Apóio a cabeça em minha mãos, não tenho forças. Posso passar horas nesse movimento vou-não-vou. Posso passar dias nessa rotina. Posso passar meses nesse sofrimento. Posso passar anos nessa entrega.

Só que eu não quero.

Reage-me!

sábado, 6 de abril de 2013

Opções do Dia

[    ] Dormir e sonhar com uma outra vida, linda e colorida
[    ] Nascer de novo
[    ] Levantar a bunda do sofá e ir arranjar um almoço

domingo, 31 de março de 2013

sobre a surpresa que nunca aconteceu...

Se assim, de repente, você resolvesse me surpreender, eu não iria achar ruim. Me jogaria nesse vento novo, deixaria ele me levar pra você, sorriria ao pé do seu ouvido, sussurrando amor. Não haveria mais espaços, silêncios, ausências.

Essa surpresa se transformaria em mudança, em certezas, em presença.

Escrito em 12 de Junho de 2012